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quarta-feira, 28 de julho de 2010

Lula promove Vinicius de Moraes a Embaixador.

Antes de mais nada, foi feita justiça... Viva Vinicius!!! Aqueles anos malditos da ditadura marcaram encontro com a história e os que foram silenciados pela força e arbitrariedade podem finalmente descansar em paz.

Lula promove Vinícius de Morais nos 30 anos de sua morte
Lei torna o artista Ministro de Primeira Classe da Carreira de Diplomata
23 de junho de 2010 | 13h 55
Jotabê Medeiros - O Estado de S. Paulo

Divulgação
Vinicius de Moraes, que foi poeta, compositor, dramaturgo, jornalista e diplomata

SÃO PAULO - Trinta anos após a morte do poeta, compositor, dramaturgo, jornalista e diplomata Vinícius de Moraes, o presidente Lula sancionou uma lei, na terça, 22, que torna o artista Ministro de Primeira Classe da Carreira de Diplomata. A razão para o ato é que Vinícius foi prejudicado em sua carreira diplomática, tendo sido aposentado compulsoriamente em 1968 por conta do Ato Institucional n.º 5.

Os benefícios de pensão a que a família de Vinicius tinha direito passam a ter um aumento substancial - um ministro de primeira classe tem salário médio de R$ 20 mil. Vinicius de Moraes (Rio, 19/10/1913 - Rio, 9/7/1980), que se chamava Marcus Vinícus da Cruz de Mello Moraes, foi reprovado em 1942 em seu primeiro concurso para o Ministério das Relações Exteriores (MRE).
Em 1943, concorreu novamente e desta vez foi aprovado. Em 1946, assumiu o primeiro posto diplomático como vice-cônsul em Los Angeles. Com a morte do pai, em 1950, Vinicius de Moraes retornou ao Brasil. Nos anos 1950, foi secretário da Embaixada do Brasil em Paris e em Roma, onde costumava realizar animados encontros na casa do escritor Sérgio Buarque de Holanda.
Amigo de Manuel Bandeira, Mário de Andrade e Oswald de Andrade, parceiro de Tom Jobim, Chico Buarque, Peri Ribeiro e da nata da MPB, Vinícius foi um autor prolixo. Além das obras poéticas, é autor da conhecida peça Orfeu da Conceição.

Eis a íntegra do despacho, publicado no Diário Oficial:

LEI N.º - 12.265, DE 21 DE JUNHO DE 2010

Promove post mortem o diplomata Marcus Vinícius da Cruz de Mello Moraes.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º É promovido post mortem a Ministro de Primeira Classe da Carreira de Diplomata o Primeiro-Secretário Marcus Vinícius da Cruz de Mello Moraes.
Parágrafo único. Ficam assegurados aos seus atuais dependentes os benefícios de pensão correspondentes ao cargo de Ministro de Primeira Classe da Carreira de Diplomata.

Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 21 de junho de 2010; 189.º da Independência e 122.º da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

Celso Luiz Nunes Amorim

quinta-feira, 24 de junho de 2010

"Rebolation" filosófico por Paulo Ghiraldelli Jr.

Estou enlaçado na rede Juventude Cidadania, a nossa querida JC, o Carlos "Chacal", mais conhecido como Davi Carneiro, enviou-me o texto do Professor Paulo Ghiraldelli Jr:  Rebolation filosófico. Compartilho com todos os amigos da blogosfera, ressaltando que o momento é apropriado para a leitura do texto abaixo, com tantos intelectuais virando-a-casaca e contando os vis metais... Ahahaha...

Rebolation filosófico
22/06/2010

Quando um intelectual diz que não quer mudar o mundo, eu já sei que ele quer, sim, e vai tentar mudá-lo, mas para pior. O discurso conservador tem uma grande facilidade de se mirar no comportamento da Dona Raposa. Exato! Aquela mesma das “uvas estão verdes”. Intelectuais todos são vaidosos. Mas há os que se desesperam quando percebem que não estão mais, em seu mundinho de faculdade, tendo seus “discípulos”.
Então, descobrem a lição de Dona Raposa. Pensam na tática infantil: “vou dizer que não quero o que mais quero”.
Como hoje em dia usar palavrão em um texto pretensamente feito para um público culto, não choca ninguém – só os que estão chegando hoje ao mundo das letras –, esses intelectuais adotaram outro modo de tentar chocar. É um modo meio velho, mas, enfim, para quem pretende ter adeptos num público bem jovem, a coisa parece funcionar. Eles discursam dizendo que não possuem mais nenhuma utopia e que não lutam por nada. Falam que não querem participar de nenhuma transformação. Realmente não querem. Mas não querem, caso a transformação seja na direção de ideais igualitários e de ampliação da liberdade. Estão sedentos para mudar o mundo e trabalham adoidados para tal. Querem um mundo que possa andar velozmente para frente, contanto que sempre todos só estejam olhando e cultivando o retrovisor.
Tipos assim se divertem em dizer que tudo que Marx escreveu é bobagem. Com isso, irritam militantes do PT que nasceram após a Queda do Muro de Berlim ou de gente que não se deu conta de que um discurso que põe a Bolívia como utopia não é discurso de esquerda, é apenas a volta da “Praça é Nossa” (Antiga “Praça da Alegria”), agora sem seus melhores quadros. Outros, do mesmo tipo, falam que Nietzsche e Heidegger contribuíram não para a filosofia, mas para o fascismo. Com isso, tentam desestimular a leitura desses filósofos que, afinal, eles próprios não entenderam. Alguns que se encaixam mais ou menos nesse tipo chegam também a falar que Foucault só teorizou sobre o poder, mas que há “muito mais coisa” que Foucault não viu (!). Usam desse tipo de ataque vazio, feito a esmo, para criarem algum frenesi numa turma de alunos do primeiro ano de ciências sociais ou história. Assim, criando raivinha em uns e amor de discípulos atarantados em outros, imaginam estar recuperando o prestígio perdido e, ao mesmo tempo, garantido um lugar ao sol em uma imprensa conservadora antes por receber benefícios de políticos que por qualquer motivação ideológica.
Esse tipo de discurso é o da Raposa no seguinte sentido: já que meu ponto de vista, conservador, não vence eleição, então eu vou jogar “merda” no ventilador, pois uma vez todos na “merda”, nos sujamos o suficiente para que ninguém mais possa se achar melhor que o outro. Assim, não raro, esse discurso às vezes vem com o papo “não há mais direita e esquerda”. Essa é uma forma mais vulgar de dizer tudo que está acima. No fundo, a opção dessa pessoa é pela direita! Ela tem apenas vergonha de confessar isso porque, apesar das doutrinas da esquerda não terem tornado a Terra um paraíso, elas não são doutrinas derrotadas pelo confronto armado com a democracia, como ocorreu com o fascismo. Além disso, uma pessoa de esquerda pode posar de democrata (ainda que isso, em vários casos, seja mentira) enquanto que, no Brasil, é difícil ver uma pessoa de direita não ser tomada como fascista.
Marx e Engels não disseram que os filósofos quiseram só “interpretar o mundo” e, então, estávamos todos esperando por eles dois, os que viriam para “transformar o mundo”. O que eles disseram, no contexto que falaram aquilo que falaram sobre transformação, é que o programa da Filosofia (com F), que era o programa de Hegel, tomava a atividade fundamental de todos os filósofos como atividade de interpretação. Claro, pois o filósofo, nessa acepção hegeliana, fala o que o Espírito (Geist) quer, e este se realiza na sua atividade vital fazendo uma atividade espiritual, e tal atividade é par excellence a atividade de interpretação. Ora, mas se substituímos o Espírito (Geist) de Hegel pelos homens de carne e osso, agrupados em classes sociais e criando as coisas materiais, então as realizações não são mais do Espírito (Geist), são realizações desses homens. Ora, tais realizações não são mais de porta vozes do Espírito (Geist), são realizações dos homens de carne e osso. E estes são transformadores do mundo – sempre foram. Marx e Engels falaram, então, apenas isso: somos filósofos diferentes; nós fazemos filosofia não como atividade do Espírito (Geist), mas como atividade da toupeira – a revolução que corre por baixo dos acontecimentos mais visíveis, mais superficiais. Fazemos isso antes porque somos homens comuns que fazem política que por sermos filósofos. E sendo assim, acabamos por ser filósofos diferentes.
Não havia nada de messiânico nisso. Para quem leu Hegel e, então, leu Marx, isso sempre ficou claro. Mas, para quem pegou Marx sem nunca lidar a sério com filosofia, tudo em Marx acabou por soar dogmático, religioso, doutrinário demais. Uma pessoa com essa feição pode ler Marx e Engels como se fossem meninos bobos e, então, pensar assim da dupla: como entender uns malucos que dizem que querem transformar o mundo enquanto que todos os outros, do passado, só interpretaram? Então, tal pessoa pode ficar tentada a dizer para si mesma: como é fácil ser intelectual agora, basta eu me posicionar contra Marx e dizer que não tenho mais nenhuma utopia! Um professor desse tipo passa por ridículo diante de intelectuais mais experientes e que amassaram o barro da filosofia, mas adoça a boca de uma juventude que acordou para a política quando Lula já era presidente.
Esse tipo de professor só não vai se espalhar pelo Brasil porque com o aumento de universidades públicas, esse comportamento blasé da direita intelectual paulistana não conseguirá se tornar hegemônico com facilidade. Pois, afinal, esse discurso de rebeldinho-sem-causa soa ridículo mesmo e, mais rápido que o seu autor pode imaginar, até mesmo os jovens que viram nele algum sinal de inteligência vão amadurecer e ficar com vergonha de terem dado crédito para esse tipo de rebolation filosófico.
© 2010 Paulo Ghiraldelli Jr., filósofo, escritor e professor da UFRRJ

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Os telejornais segundo a ética (Renato Janine Ribeiro)

Gostaria de apresentar um artigo antigo do Professor e Cientista Político Renato Janine.
Em ano eleitoral é sempre interessante analisarmos o papel dos meios de comunicação na desinformação,  e ocultação dos fatos e ideias, o debate é substituído por comentaristas que enfaticamente dizem "a verdade", como se estivessem acima do bem e do mal... Falam e são as vozes dos donos dos meios de comunicação. Falta ética? Leiam Janine.


Os telejornais segundo a ética
Renato Janine Ribeiro
Devemos discutir os jornais da TV segundo a ética? Pouca gente dirá que não. Mas podemos dizer que eles sejam éticos? É difícil. Infelizmente, porém, quando se critica a telinha, a ética que se invoca geralmente não vai além de um pudor em relação ao sexo. Neste ponto, aliás, duas culturas tão diferentes, como a da direita e a da esquerda, até parecem convergir. Ambas criticam o número de peladas e de musculosos na TV. Só que a direita protesta contra uma sexualidade que não passa mais pelo casamento, enquanto a esquerda reclama da banalização do sentimento e do desejo, reduzidos a bens comerciais.
Na verdade, não há acordo possível, aqui, entre direita e esquerda. Para os conservadores, falar de sexo é um mal. Para os progressistas, o mal não está em falar dele, mas em expô-lo como mercadoria. Seja como for, para a direita a indecência na TV reside no sexo, e para a esquerda na violência. Mas não é nos noticiários da televisão que aparecem peladas ou tiroteios.
Então, como ficam os telejornais? Até a recente intromissão do Big Brother Brasil no Jornal Nacional, o sexo era praticamente ignorado neles. A violência também não é sua marca registrada, pelo menos se pensamos nos noticiosos propriamente ditos – deixando de lado programas diretamente voltados para a (in)segurança pública, como Cidade Alerta, Linha Direta e alguns mais. E assim a discussão ética sobre o noticiário é diferente da habitual. Não mexe com o público, não açula senhoras de Santana (para os mais jovens: foram um grupo de pessoas que, no fim da ditadura militar, protestaram contra o sexo que começava a aparecer na TV: o país sem liberdade, e elas preocupadas com peitos). Por isso mesmo – porque a multidão não sabe que noticiosos devem ser éticos –, é importante discuti-los.
A questão ética, sobre os noticiários, está na qualidade da cobertura e na diversidade dos pontos de vista. Qualquer estudante de comunicações sabe que não há objetividade pura: que mesmo um retrato privilegia pontos de vista, enfoques, excluindo outros. E no entanto não dá para fazer bom jornalismo sem acreditar que seja possível uma certa objetividade. É uma crença insustentável segundo a boa filosofia, mas imprescindível para fazer uma boa reportagem. Essa fé impõe obrigações ao jornalista. Ele deve admitir que, mesmo nos casos mais escabrosos, haja um outro lado – o qual deve ter seu lugar na página ou na tela. Deve repelir imagens degradantes ou abjetas. Deve evitar a linguagem indignada. Deve, enfim, desconfiar da unanimidade, que é inimiga da reflexão.
Importante: estes são princípios tanto da ética quanto do bom jornalismo. A ética, longe de contradizer a qualidade digamos técnica da cobertura, é essencial para ela. E isso porque nela está o cerne da relação entre o jornalista e seu público. A missão do jornalista contém forte elemento ético. Ele desfruta de uma série de liberdades ou privilégios (por exemplo, o de ocultar suas fontes) mas nunca em seu nome pessoal, e sim no de seu público. É só isso o que justifica condutas inaceitáveis no convívio social, como – para dizer o mínimo – telefonar às pessoas em lugares e horários impróprios. Pois bem, se a ética está no cerne da qualidade jornalística, que dizer de nossos telejornais?
É óbvio que eles são deficientes tanto no plano ético quanto no técnico – que, insisto, estão bem próximos. Os telejornais não enfrentam o poder político e o econômico. Estão aquém da própria sociedade brasileira. Com dificuldade, nosso país está construindo uma democracia, quer no plano das instituições, quer no das relações pessoais e dos costumes. Isso significa aceitar melhor o outro, enfrentar a injustiça social. A boa notícia é que está desaparecendo, da consciência popular, a crença de que seria legítima a enorme desigualdade que existe aqui. Este é um primeiro passo para que acabemos com a miséria. Mas a televisão contribui para isso? Não, pelo menos nos principais canais. Mal se discutem as causas da miséria.
Nos primeiros anos do regime civil, no final da década de 80, era engraçado. Ás oito da noite, o Jornal Nacional mostrava políticos, em geral nordestinos, que depois de servir a todos os ditadores se haviam reciclado com a volta da democracia. Apareciam como grandes homens da República. Meia hora depois, a principal novela da mesma rede Globo – por exemplo, Roque Santeiro – expunha clones deles (um destaque, Sinhozinho Malta) como emblemas do que há de pior em nossa sociedade. Esse padrão – o noticiário que fazia a pior ficção, mentindo, em contraponto à novela, que era ficção no varejo mas dizia a verdade no atacado – deve ter-nos enlouquecido um pouco. Como pode a reportagem mentir, a ficção ser veraz? Como podemos assim trocar os sinais da verdade e da invenção? o lugar do jornalismo e o do entretenimento?
Hoje sumiu, dos noticiários nacionais, embora não dos locais, a louvação aos egressos do regime militar, aos coronéis da política. (Eles também foram sumindo, nos últimos doze meses, da política propriamente nacional. As lideranças mais conservadoras se conservam poderosas em seus Estados. Mas parece que não têm mais projeto ou projeção nacional). Só que não entrou, em seu lugar, uma política melhor, feita por exemplo de debates sérios – nos horários e canais de maior audiência, entendo bem, e não a altas horas da noite, quando o grande público já foi dormir. O que entrou foi a cobertura de acontecimentos pequenos, faits-divers, diriam os franceses, variedades. O arremate disso é a vergonhosa cobertura, pelo Jornal Nacional, do vazio de algumas vidas no Big Brother. É raríssima uma reportagem que some o melhor da cobertura factual com uma boa análise.
E também por isso muitos temas ficam ausentes da telinha. Tenho valorizado o papel que a TV dá à mulher. Desde, pelo menos, Dancing Days (1979), a novela prega a igualdade entre os sexos. Não é espantoso que a novela contribua mais, para nossa consciência social, do que os noticiários? Neles não se fala na dívida externa. Quantos ficaram sabendo, pelo noticiário, que a dívida externa subiu pelo menos cinco vezes no governo Fernando Henrique Cardoso? Não se discutem as privatizações, exceto, eventualmente, na TV Cultura. Não aparecem projetos consistentes para o país, nem para os Estados ou as cidades. Lembro que em 1996 eu estive no Rio Grande do Sul – um Estado de forte consciência política – e vi pela RBS, a Globo local, a cobertura do segundo turno das eleições municipais. Em duas importantes cidades gaúchas, a direita e a esquerda disputavam a prefeitura. Cinco minutos de noticiário, e nada além de banalidades como distribuição de santinhos, apertos de mão e comentários sobre a "festa cívica"! Nem uma idéia, umazinha sequer.
Muitos de nós achamos que o ano de 2000 foi um ano de glória para o jornalismo da TV, em particular na cidade de São Paulo: a Globo deu a maior atenção às acusações de corrupção contra o então prefeito e sua maioria na Câmara Municipal. Pelo menos um vereador já foi condenado com base em tais denúncias. E no entanto a discussão da política não foi além da corrupção. A política na TV brasileira é, quando muito, caso de polícia. Mudou-se a prefeitura, mas não tanto porque a nova gestão tivesse compromissos sociais mais fortes do que a anterior – e sim por ser nova e prometer ser honesta. O debate sobre a coisa pública continuou tão fraco como antes. Eu, que voto à esquerda, até poderia gostar que nas eleições de 2000 a direita paulistana fosse tão débil. Mas preferiria que um bom candidato liberal tivesse surgido, propondo incentivos a novas empresas, em vez de Marta Suplicy ganhar quase por um no show do outro lado.
Em suma: os noticiários da TV passam mal na prova de ética. Já sua pauta é ruim, e exclui assuntos fundamentais de interesse para a cidadania. A cobertura é superficial, e raras vezes fornece uma gama razoável de fatos. E a interpretação mal existe. Quando muito, proclama-se a revolta, a indignação. "É uma vergonha!" , dizia Boris Casoy no auge da crise que levou ao impeachment de Fernando Collor. Dez anos se passaram, e não se passou o país a limpo. Mas não porque Boris Casoy estivesse certo, e o país e sua política errados. E sim – talvez – porque a denúncia de corrupção seja má conselheira. Mais importante, isto sim, é sair da oposição maniqueísta entre bem e mal, abrir espaço para as oposições, substituir a sombra pela luz, a cobertura unilateral por uma mais ampla, favorecer análises. Porque, se o noticiário não fizer pensar, quem o fará?
(Maio de 2002)
extraído do site:  http://www.renatojanine.pro.br/Etica/etica.html

quinta-feira, 22 de abril de 2010

A modernidade tardia no Brasil (Lênio Streck)

Abaixo um excerto  do livro de Lênio Streck que faz referência a era FHC, importante os dados e o retrato do Brasil desenhado pelo Professor Lênio, o desafio é superarmos a miséria que impregna, principalmente as elites econômicas: o preconceito com os pobres. Precisamos de modernidade.
A modernidade tardia no Brasil (Lenio Streck)
"As promessas da modernidade só são aproveitadas por um certo tipo de brasileiros. Para os demais, o atraso! O apartheid social! Pesquisa recente mostra que os excluídos são 59% da população do país. Nessa categoria “excluídos” estão as pessoas que estão à margem de qualquer meio de ascensão social. Na escola, a esmagadora maioria dessas pessoas (86%) não foi além da 8ª série do 1º grau. De todos os segmentos sociais, são os que mais sofrem com o desemprego e a precarização do trabalho: 19% vivem de “bico” e 10% são assalariados sem registro algum. Como contraponto, o levantamento mostra que a elite se resume 8% dos brasileiros. Essa elite concentra mais brancos (85%) do que qualquer outro segmento da sociedade. É, em conseqüência, o segmento onde há menos negros e pardos(pesquisa Datafolha publicada na Folha de São Paulo de 12 de abril de 1997, 1-12 Brasil).
Não há, pois, como não dar razão a Leonardo Boff, quando afirma que (essas) nossas elites construíram um tipo de sociedade “organizada na espoliação violenta da plusvalia do trabalho e na exclusão de grande parte da população”. Daí a existência no Brasil de duas espécies de pessoas: o sobreintegrado ou sobrecidadão, que dispõe do sistema, mas a ele não se subordina, e o subintegrado ou subcidadão, que depende do sistema, mas a ele não tem acesso.
Não causa espécie, assim, em nossa “pós-modernidade” midiática, que, a exemplo de tantas pessoas, a dublê de atriz e modelo Carolina Ferraz justifique o apartheid nos elevadores de forma bastante solene: “As coisas estão tão misturadas, confusas, na sociedade moderna. Algumas coisas, da tradição, devem ser preservadas. É importante haver hierarquia”. Já a promoter paulista Daniela Diniz, assídua freqüentadora das colunas sociais, “não nos deixa esquecer” que “...cada um deve ter o seu espaço. Não é uma questão de discriminação, mas de respeito”. Ou seja, para elas – e para quantos mais (!?) – a patuléia deve (continuar a) “saber-o-seu-lugar”...

(texto extraído do Livro “Hermenêutica Jurídica e(m) Crise: uma exploração hermenêutica da construção do Direito. Editora: Livraria Do Advogado, PP.29 e 30)

terça-feira, 13 de abril de 2010

O discurso de Márcio Moreira Alves e o AI-5.

Nilton Atayde encaminha o discurso que levou ao fechamento do Congresso Nacional em 1968, através do famigerado AI - 5. O discurso histórico que provocou a fúria dos militares, foi proferido por Márcio Moreira Alves,  na Câmara dos Deputados, em 02/09/1968, e se transformou no maior símbolo contra a ditadura militar. Nilton coloca entre parenteses que (Muito depois, quando já jornalista de O Globo, explicou que, à época, após verdadeiros massacres e violência contra estudantes,viu-se obrigado a posicionar-se, sugerindo boicote às comemorações da Independência; que teve a idéia do discurso depois de assistir à peça cômica “Lisístrata”, de Aristófanes, o maior comediógrafo grego, um veemente, mas inocente apelo à paz.)
Fez um ano que o jornalista e ex-deputado federal Márcio Moreira Alves (MDB) morreu (03/04/2009), aos 72 anos no Rio de Janeiro. Ele ficou internado desde outubro de 2008 no Hospital Samaritano após sofrer um AVC (acidente vascular cerebral). Márcio Moreira Alves aderiu ao MDB e foi eleito deputado federal pelo antigo Estado da Guanabara. Inicialmente apoiou o movimento militar de 1964, porém, quando foi proclamado AI-1, ele tornou-se opositor do regime.

"Senhor presidente, senhores deputados,
Todos reconhecem ou dizem reconhecer que a maioria das forças armadas não compactua com a cúpula militarista que perpetra violências e mantém este país sob regime de opressão. Creio ter chegado, após os acontecimentos de Brasília, o grande momento da união pela democracia. Este é também o momento do boicote. As mães brasileiras já se manifestaram. Todas as classes sociais clamam por este repúdio à polícia. No entanto, isto não basta.
É preciso que se estabeleça, sobretudo por parte das mulheres, como já começou a se estabelecer nesta Casa, por parte das mulheres parlamentares da Arena, o boicote ao militarismo. Vem aí o 7 de setembro.
As cúpulas militaristas procuram explorar o sentimento profundo de patriotismo do povo e pedirão aos colégios que desfilem junto com os algozes dos estudantes. Seria necessário que cada pai, cada mãe, se compenetrasse de que a presença dos seus filhos nesse desfile é o auxílio aos carrascos que os espancam e os metralham nas ruas. Portanto, que cada um boicote esse desfile.
Esse boicote pode passar também, sempre falando de mulheres, às moças. Aquelas que dançam com cadetes e namoram jovens oficiais. Seria preciso fazer hoje, no Brasil, que as mulheres de 1968 repetissem as paulistas da Guerra dos Emboabas e recusassem a entrada à porta de sua casa àqueles que vilipendiam-nas.
Recusassem aceitar aqueles que silenciam e, portanto, se acumpliciam. Discordar em silêncio pouco adianta. Necessário se torna agir contra os que abusam das forças armadas, falando e agindo em seu nome. Creia-me senhor presidente, que é possível resolver esta farsa, esta democratura, este falso impedimento pelo boicote. Enquanto não se pronunciarem os silenciosos, todo e qualquer contato entre os civis e militares deve cessar, porque só assim conseguiremos fazer com que este país volte à democracia.
Só assim conseguiremos fazer com que os silenciosos que não compactuam com os desmandos de seus chefes, sigam o magnífico exemplo dos 14 oficiais de Crateús que tiveram a coragem e a hombridade de, publicamente, se manifestarem contra um ato ilegal e arbitrário dos seus superiores."

domingo, 11 de abril de 2010

Dilma é Lula e Lula é Dilma

DILMA É LULA E LULA É DILMA. (Pedro Nelito Jr.)*
Aécio Neves buscou virar pré-candidato do PSDB para a eleição presidencial de 2010, mas a base paulista não permitiu. A hora era de Aécio. Serra insistiu e fincou o pé, o PSDB nacional a contragosto aceitou, FHC andou tagalerando a favor de Serra.  Aécio perdeu, o PSDB pode perder muito mais, apostou todas as cartas em Serra. E se o eleitorado se convencer de que Dilma é Lula?!
O eleitor quer continuidade, basta analisar que Lula atingiu mais de 80% de aprovação. Não é para ficar assustado se o candidato Serra no horário eleitoral for mais lulista do que Dilma...
Dilma é Lula, e Lula tem reforçado essa percepção. Quando a campanha iniciar, o presidente se tornará o maior eleitor de Dilma, Lula elege até um poste.
A Rede Globo e a Revista Veja tentam desqualificá-lo como tal, as elites se inquietam com a possibilidade de Dilma se tornar a primeira mulher presidente do Brasil, não por ser mulher, mas por ser continuidade de Lula.
Provavelmente o eleitor olhará para o passado para definir o futuro, e aí a candidata Dilma leva vantagem, não esqueçam: Dilma é Lula.
Nos bastidores do PSDB, as pessoas reclamam do mau humor do político Serra, a esperança do tucanato é que Serra se transforme no "Serrinha paz e amor", mas cabe perguntar: - Conseguirá?
O PSDB mineiro pensava que Serra diante da popularidade de Lula - mais de 80% de aprovação, somado ao relacionamento conflituoso com Geraldo Alckmin, fosse optar pela reeleição ao governo do Estado de São Paulo. Serra apostou alto, talvez um blefe, como jogador de pôquer, sustenta que tem "as cartas", quando terminarem as eleições saberemos se Serra foi um blefador...
José Serra deixou o governo de São Paulo com uma reeleição tranquila, para se aventurar numa eleição contra o mais popular Presidente do Brasil de todos os tempos: - Luís Inácio Lula da Silva.
A sua derrota pode arrastar pelo ralo da história partidos políticos importantes: - PSDB e DEM.
Será que Serra pensou nisso?
Aécio pode ser vítima desse processo. Restará o quê depois da vitória de Dilma?
Se for vitória acachapante, restará um sorriso amarelo ao PSDB.
Vitória apertada, resta apenas o Aécio. Serra será esquecido como FHC.

* Professor universitário e sociólogo.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

PAYSANDÚ "A ALMA PARAENSE" segundo Armando Nogueira

Armando Nogueira, falecido recentemente (29/03/2010), considerado um dos maiores cronistas do futebol brasileiro. Armando Nogueira, segundo Nilton Atayde, tinha uma virtude que o distinguia dentre os cronistas que atuavam no sul do país, declarava-se bicolor, era PAYSANDU, e se orgulhava disso.
Para Nilton, Armando se rendeu aos encantos do esquadrão bicolor.
Vamos ao artigo escrito em 7 de agosto de 2002:

A Alma Paraense (crônica de Armando Nogueira)
O Paysandu está pegando um Ita no Norte e desembarca com toda corda no Campeonato Brasileiro. É tricampeão dentro de casa, é campeão do Norte e acaba de ser pra sempre consagrado na Copa dos Campeões. Pra mim, que também sou daquelas bandas, o Paysandu é bem mais que um bom time de futebol. Se o Flamengo é um estado d’alma, o Paysandu é a própria alma paraense. É pimenta de cheiro, é o Círio de Nazaré, é tacacá com tucupi, é Eneida de Morais, tia de Fafá, mãe de Otávio, campeão botafoguense. É palmito de bacaba, é Billy Blanco, é açaí, é Jayme Ovalle, inventor do Azulão, tom profundo do azul-celeste, campeão dos campeões. E sempre será também Fafá de Belém, Leila Pinheiro, Jane Duboc, canto e contracanto ao violão de Sebastião Tapajós, fluente como o rio que lhe dá o sobrenome.
O Paysandu é feijão de Santarém, é farinha de mandioca, é jambu, é manga-espada, é maniçoba que Raimundo Nogueira servia, declamando Manuel Bandeira:

“Belém do Pará, onde as avenidas se chamam Estradas.
Terra da castanha
Terra da borracha
Terra de biribá bacuri sapoti
Nortista gostosa
Eu te quero bem.
Nunca mais me esquecerei
Das velas encarnadas,
Verdes, Azuis, da Doca de Ver-o-Peso
Nunca mais
E foi pra me consolar mais tarde
Que inventei esta cantiga: Bembelelém, Viva Belém! Nortista Gostosa
Eu te quero bem.”

Paysandu, permita-me parafrasear Caymmi, cantando teu troféu de imensa glória:
"Agora, que vens para cá
Um conselho que mãe sempre dá
Meu filho, jogue direito que é pra Deus te ajudar."

terça-feira, 30 de março de 2010

O que está em jogo na política nacional

A proposta do CitadinoKanes News é socializar artigos interessantes sobre política, cultura e outros temas.
Abaixo artigo de uma jovem liderança da esquerda, anotem o nome dele: Davi Carneiro. Foi dirigente do Centro Acadêmico de Direito "Edson Luiz" da Ufpa e hoje juntamente com outros jovens universitários difundem e debatem a "Economia Solidária" como alternativa ao mundo "cão" capitalista, estão organizados num coletivo denominado "Juventude Cidadania" que participa da Rede de Economia Solidária.

Vamos ao artigo, ok?!
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O QUE ESTÁ EM JOGO NA POLÍTICA NACIONAL (Davi Carneiro)

1 - Talvez uma das maiores revoluções do século XX tenha sido a conquista do sufrágio universal. Conferir o mesmo peso às pessoas na hora de eleger seus representantes, pelo menos em um plano formal, é assumir a igual consideração sobre o destino de todos e todas. No entanto, entre nós, onde não raro a inserção do liberalismo político deu-se “fora de lugar”, seja pela ação demiúrgica do Estado ou mesmo pela tutela de setores oligárquicos, esta assertiva, apesar das aparências, parece longe de ser consenso. Vivenciamos hoje o retorno de um passado oligárquico que tende a nos assombrar, ou pior, a demonstração patente da face perversa do moderno que construímos até então.
2 - No segundo livro de seu “A democracia na América”, Tocqueville, analisando a revolução democrática inglesa, confiava no caráter de estrato social definido pela honra e por valores espirituais da aristocracia para “corrigir” a cultura material que emergia com a igualdade de condições, resguardando assim tanto a liberdade como as virtudes públicas. Em terra brasilis, onde a excelência aristocrática nunca foi o forte de nossas oligarquias, estas também consideravam a si mesmas como porta-vozes das virtudes do país, como se fossem dotadas de um mandato universal, ou mesmo, se confundissem com a própria “opinião pública”.
3 - Hoje, pelo menos duas manifestações desta tendência, mostram-se em clara evidência, permeando os debates públicos e dividindo opiniões por todo o país. A primeira delas é o comportamento da grande mídia frente a certas ações do governo federal e dos movimentos sociais. Recentemente, em uma entrevista, a presidente da ANJ (Associação Nacional dos Jornais) não hesitou em dizer que os grandes “meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada”. Ou seja, ao invés de informar a população sobre o que de fato acontece no país ou mesmo emitir suas opiniões demonstrando-as enquanto tal e admitindo o contraditório, certos meios de comunicação adotaram deliberadamente a oposição sistemática ao governo, não raro assumindo posições francamente contrárias aos direitos dos trabalhadores, aos movimentos sociais e a políticas de inclusão social. E, quando, para o seu desespero, a reação do público é oposta às suas opiniões, como nas eleições presidenciais passadas, afirmam sem pudores que o povo votou “contra a opinião pública”.
4 - Outra face desta tendência, mais escancarada ou, pelo menos, mais sincera, são os argumentos francamente iníquos utilizados por certos políticos conservadores para defender posições abertamente preconceituosas ou racistas. Não foi de outra maneira que o DEM, partido que provavelmente indicará o vice na candidatura de José Serra, defendeu sua posição em relação às cotas raciais.
5 - Aqui, não se quer entrar no mérito de uma questão certamente complexa, mas somente demonstrar o que realmente pensa uma parcela importante dos setores políticos deste país. Vejamos. Segundo o Senador Demóstenes Torres, porta-voz do partido nesta discussão, fala-se que “as negras foram estupradas no Brasil. [Fala-se que] a miscigenação deu-se no Brasil pelo estupro. Gilberto Freyre, que hoje é renegado, mostra que isso se deu de forma muito mais consensual". Após esta pérola sexista e racista, o Senador continua: “"Todos nós sabemos que a África subsaariana forneceu escravos para o mundo antigo, para o mundo islâmico, para a Europa e para a América. Lamentavelmente. Não deveriam ter chegado aqui na condição de escravos. Mas chegaram.”, culpando assim, os próprios negros pela escravidão.
6 - Como acusaria Sérgio Buarque de Holanda em seu “Raízes do Brasil”, “a democracia no Brasil sempre foi um lamentável mal-entendido”. E as oligarquias “sempre tratam de acomodá-la, onde for possível, aos seus direitos e privilégios”. Ao falar de “liberdade de imprensa”, lincham publicamente reputações e manipulam o direito à informação, ao defenderem a “democracia racial”, revelam o que pensam sobre os direitos das mulheres e o papel do negro na construção do Brasil. Para que este “mal-entendido” não fique no dito pelo não dito, precisamos, com as armas que temos, combater essas manifestações oligárquicas em todas as direções. Pois, apesar delas, amanhã será outro dia e estamos lutando para construir um país para cidadãos e cidadãs, iguais em direitos e em dignidade.

terça-feira, 23 de março de 2010

O julgamento do casal Nardoni


Encerrado o depoimento do legista Paulo Sergio Tieppo Alves ao júri popular que decide se o casal Nardoni (Alexandre e Anna Carolina) matou a menina Isabella Nardoni de 5 anos. O depoimento causou grande comoção nos presentes na tarde desta terça-feira (23). O legista comprovou as alegações levantadas no laudo mostrando fotos do corpo da criança que examinou. As cenas foram fortes por exibirem uma criança dilacerada e até com o tórax aberto durante os exames legais.
O rosto da menina podia ser observado com nitidez, no telão dentro da sala. A avó da garota chorou ao ver as imagens, enquanto o avô mostrava sinais claros de desconforto.
Fonte: Portal BOL

sábado, 20 de março de 2010

Bem vindos blogueiros!!!

Tenho um outro blog, os amigos sabem.
Começo o "CitadinoKane News" procurando uma identidade para as linhas que seguirão os dias do porvir...
Enquanto ensaio os primeiros passos, trago a imagem do Ver-o-peso, mais precisamente a Feira do açaí de manhã cedo, os vendedores suados de carregar paneiros e mais paneiros de açaí ali no paralepípedo da rua, que é ocupada por compradores... Com o sorriso aberto e a testa pingando suor, o vendedor enfia as duas mãos no paneiro e traz elas carregadas de açaí e sentecia: - Pode comprar freguês é do bão!
Pode chegar que a casa é nossa, sejam bem vindos blogueiros!!!